16/03/2004 12:45
O José Arnaldo Villar escreveu o seguinte comentário sobre meu livro:
Claudio Daniel apresenta em Figuras Metálicas o registro de sua travessia poética, percorrida ao longo de vinte anos de labor criativo. Comparecem aqui poemas escritos entre 1983 e 2003, incluídos nos livros Sutra, Yumê e A Sombra do Leopardo, mais o inédito Pequenas aniquilações. Este conjunto de composições revela um autor com voz própria, singular e inquieta. Dialogando com a Poesia Concreta, o Neobarroco, o Simbolismo e o Oriente, realizou uma fusão onde são evidentes as imagens sonoras, que não raro perturbam ou dissolvem o sentido aparente em curiosas associações de termos (Água-de-serpente para esquecer jamais esta música de peles). Os poemas são reunidos em ciclos ou séries, como se fossem peças de um quebra-cabeças ou verbetes de uma enciclopédia imaginária. Aqui, as palavras não se curvam à função passiva de apenas retratar ou traduzir o mundo das coisas, mas constituem uma realidade própria, obsessiva. Cada poema é um organismo, com rigorosa concepção estrutural, que distancia-se da lógica linear, discursiva, por meio da elipse, da analogia e da colagem semântica. Este caminho de desfiguração dos vocábulos mimetiza a perda de sentido dos valores culturais em nossa época, regida pela loucura do mercado e da mídia, ao mesmo tempo que aponta para a criação de outras realidades, por meio da poesia.
José Arnaldo Villar
Leiam, na edição de março do Suplemento Literário de Minas Gerais, quatro poemas de meu próximo livro, com ilustrações do artista plástico Miguel Gontijo.
enviada por Claudio Daniel
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